sábado, 5 de dezembro de 2009

ONU vincula discussão sobre clima em Copenhague aos direitos humanos


Cerca de 20 relatores especiais das Nações Unidas alertaram nesta sexta-feira (4) sobre a importância da cúpula sobre mudança climática da ONU, que começa em 7 de dezembro em Copenhague, e afirmaram que ali serão discutidos também "os direitos humanos".

"Um resultado frágil nas negociações sobre a mudança climática seria uma séria ameaça aos direitos humanos", diz o texto dos relatores diante da reunião de Copenhague.

"O aumento do nível do mar, o aumento da temperatura do oceano e os eventos meteorológicos extremos têm e seguirão tendo envolvimento direto e indireto nos direitos humanos", acrescenta o documento.

Os analistas lembram que os efeitos negativos da mudança climática são sentidos especialmente pelos países mais pobres, onde vivem pessoas mais desprotegidas e os que mais dependem dos recursos naturais.

"Eles são os menos preparados para enfrentar às alterações provocadas pela mudança climática e seus efeitos sobre o acesso à comida, à água potável, o saneamento, à saúde e à moradia digna".

É por isso que os analistas "pedem" aos participantes da cúpula de Copenhague para que seja alcançado um acordo para prevenir mais alterações, proteger os indivíduos já afetados pela mudança climática e adotar planos de adaptação e redução que levem em consideração à legislação internacional sobre os direitos humanos.

Publicado no site da G1, no dia 04/121

Copa e Olimpíada não podem afetar direitos humanos no Brasil-ONU

Publicada em 13/11/2009

Reuters/Brasil Online

BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil deve tomar cuidado para não violar os direitos humanos ao tentar conter a violência para a Copa do Mundo 2014 e a Olimpíada do Rio de Janeiro em 2016, disse nesta sexta-feira a Alta Comissária de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).

"Estamos cientes do que acontece quando países estão muito preocupados em apresentar esse grande show para as câmeras internacionais", disse a alta comissária Navi Pillay a jornalistas em Brasília, no fim de uma semana de visita ao país.

O Rio registrou uma onda de violência em outubro depois que supostos traficantes abateram um helicóptero da polícia, semanas depois da escolha da cidade para realizar os Jogos Olímpicos de 2016.

Grupos de direitos humanos regularmente acusam a polícia do Rio de cometer abusos durante ações em favelas. As autoridades dizem que há grande dificuldade em agir contra as quadrilhas de traficantes que dominam os morros cariocas.

"O que fiz na minha visita ao Rio foi lembrar o governo de que, qualquer que seja a estratégia planejada e adotada em nome da segurança pública..., não se pode abandonar a consideração dos direitos humanos."

Ela também defendeu que os investimentos para os dois grandes eventos esportivos beneficiem os pobres -na forma de instalações culturais, esportivas e de transportes, por exemplo.

"Pode-se gastar em sistemas de transporte público que irão ajudar os habitantes das favelas a viajarem para os locais de emprego bem depois que a Copa do Mundo e a Olimpíada acabarem", afirmou.

Pillay lembrou ainda que o Brasil foi o único país da América do Sul que não tomou medidas contra abusos cometidos durante os regimes militares da região, ao contrário de várias nações vizinhas que levaram ex-agentes das ditaduras a julgamento.

Ela afirmou ter incentivado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a criar uma comissão de verdade e reconciliação para examinar casos de tortura, assassinatos e outras violações durante a ditadura brasileira (1964-85).

"Devo dizer que o presidente Lula esteve muito aberto à sugestão", acrescentou.

(Reportagem de Ana Nicolaci da Costa)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Charge para reflexão sobre Educação Pública

Unesco discute educação para adultos

Do dia 1 ao dia 4 deste mês, a Unesco está discutindo os desafios da educação para os adultos no VI Confintea (Conferência Internacional de Educação de Adultos), na cidade de Belém, no Pará. Entre os relatórios que chamaram a atenção para a necessidade de repensar a educação na América Latina, o vice ministro de Educação do México, Esteban Miguel, a taxa de alfabetização da região teve um aumento de apenas 5% na década de 1990, e grande parte da população não chega a concluir o ensino primário.

O relatório pode ser lido na íntegra no site da Conferência, que disponibilizou um resumo de cada continente, relatórios nacionais e um relatório geral (muitos estão em inglês).

Lançamento de livro
A UNESCO Brasil lançou hoje, durante a Sexta Conferência Internacional de Educação de Adultos, CONFINTEA VI, "O Pequeno Livro das Grandes Emoções", uma coletânea de textos literários de diversos estilos escolhidos especialmente para os leitores jovens e adultos em processo de formação.

Fontes: Agência do Pará e Site Oficial da Unesco

A face da fome



















Pela historiadora Débora Regina Vogt

Cansamos de ouvir sobre o problema da fome no mundo. Muitas vezes, como um discurso dezenas de vezes repetido, soa em nossos ouvidos sem fazer ecos. A Cúpula Mundial sobre Segurança Alimentar das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) se reuniu há alguns dias na Itália a fim de discutir o problema da fome no mundo. O número é alarmante, cerca de 1 bilhão de pessoas sofrem com a falta de alimentos. Segundo relatório da ONU, de cada 10 pessoas, 6,7 não comem os nutrientes que deveriam para sobreviver. Contudo, mesmo que os números saltem aos olhos, poucas vezes eles nos fazem levantar de nossa posição de meros assistentes de uma história que parece se repetir ano após ano diante de nossos olhos. São números. Assim como os mortos na guerra do Afeganistão, na invasão do Iraque, nos conflitos no Oriente Médio ou, para usar um exemplo muito nosso, nas nossas favelas e vilas na guerra do tráfico. A história muda quando transformamos esses números em pessoas, com sentimentos, desejos, anseios, dores e angústias.

O documentário Garapa, de José Padilha, faz-nos olhar a fome com outros olhos. Ela deixa de ser número para se tornar gente. Gente que tem comida, mas a tem numa quantidade tão limitada, que vai morrendo aos poucos, ou sobrevivendo como dá, como consegue, como se adapta. Logo no início da película, em preto e branco, o diretor coloca, “há dois modos de morrer de fome: não comer nada e morrer logo, ou ir comendo sempre o insuficiente e ir morrendo aos poucos”. Padilha explora a segunda situação, que talvez seja a mais dolorosa, do sofrimento contínuo, de abstinência do mínimo necessário à sobrevivência. Se viver é uma eterna capacidade de se adaptar, podemos dizer que os personagens de Garapa (em nada fictícios, diga-se de passagem), entenderam o que isso significa. Na ausência do leite, usa-se a garapa, mistura de água com açúcar quente. Se não há como fazer as três refeições diárias, janta-se e não se almoça ou vice-versa.

Segundo alguns dados, cerca de US$ 30 bilhões investidos por ano acabariam com o problema da fome no mundo. Se isso parece muito para alguns, é interessante compararmos com o gasto com armamentos: US$ 1,5 trilhão. Os cerca de 60 países que se reuniram em Roma e rejeitaram a destinação de US$ 44 bilhões para a erradicação da fome do mundo até 2025 deveriam assistir a Garapa. É fácil votar “não” para números, virar as costas para dados e dar de ombros para estatísticas. Ver a face da fome, de carne e osso, com mais osso do que carne, nos faz senti-la mais próxima. Isso significa tomá-la como nossa, não simplesmente buscando suas causas históricas, como se o sofrimento de milhares precisasse somente ser justificado para ser aliviado. É nosso problema, é nossa vergonha.

Fonte: Zero Hora (02/12)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Negros têm salários 43,8% menores


O Dia da Consciência Negra traz à tona reflexões importantes, como a participação dos negros no mercado de trabalho brasileiro. Dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos) e da Fundação Seade apontam para realidade nada positiva: o salário médio dos negros é 43,8% menor do que a remuneração dos brancos.

A pesquisa, que consolidou dados do período que compreende os anos de 2004 a 2008, mostra que o negro recebe, em média, R$ 4,62 por hora, enquanto os brancos ganham R$ 8,21.

"Além do fato de as jornadas de trabalho serem normalmente mais extensas, os negros encontram-se em maior proporção em ocupações mais frágeis, seja pela forma de contratação, seja pela inserção em postos de baixa qualificação. Estas são as razões mais evidentes para as diferenças de rendimentos". explica Patrícia Lino Costa, economista do Dieese.

Embora no período analisado tenha sido verificado aumento para os negros (6,1%) e relativa estabilidade para os não-negros (0,1%), a redução da diferença entre valores tão díspares não significou melhora consistente no rendimento daqueles que ganham menos. Em 2004, os salários dos negros eram 46,9% menores.

Para a economista, a diferença de remuneração também pode ser explicada com o menor nível de escolaridade dos negros. "Normalmente as famílias necessitam que todos os integrantes trabalhem para ajudar na composição da renda. Com isso, acaba-se não tendo tempo de estudar. Isso é um círculo vicioso e os negros acabam atuando em áreas que exigem menor nível de escolaridade e consequentemente com salários menores", explica Patrícia.

Fonte: Diário do Grande ABC (Michele Loureiro), no dia 20/11/09

Vivendo mais


Esta semana o IBGE anunciou que a expectativa de vida do brasileiro aumentou, passando de 69,66 anos (69 anos, 7 meses e 29 dias) para 72,86 anos (72 anos, 10 meses e 10 dias) em 2008. Uma estatística para comemorar. As pessoas estão vivendo mais no País, temos mais velhinhos nas ruas. Porém, esses dados nos trazem a reflexão de uma nova realidade: a necessidade de cuidados para que essa vida mais longa tenha mais qualidade.

Numa matéria publicada no mês passado no Jornal do Commércio apontava que no Estado, dentro do serviço público de saúde, havia apenas 12 geriatras, um para cada 74 mil idosos. Os problemas, porém, não param na saúde. Mesmo que em proporções menores que em relação os deficientes físicos, os idosos sofrem com os difíceis acessos. No transporte público, o sofrimento é grande na maioria das capitais. A qualidade de vida dos nossos velhinhos fica comprometida com a falta de uma política de serviços públicos de qualidade.

Além dos serviços básicos, outra preocupação deve estar relacionada ao lazer dos idosos. Sem atividades profissionais, é fundamental que tenham atividades de lazer, entretenimento e cultura para aproveitar a velhice. A Academia da Cidade é um grande exemplo da criação de oportunidades para a terceira idade cuidar da saúde física e mental. Além de se divertir.

Vivendo mais, surge também uma outra discussão: pensar a morte. A morte deixou de ser um evento e passou a ser um processo, muitas vezes bem longo, enfrentando doenças incuráveis. Daí ser fundamental desenvolver o conceito dos cuidados paliativos, que permitem uma qualidade de vida maior, mesmo em meio as doenças.

Pesquisa
Segundo a pesquisa, no entanto, os números brasileiros são relativamente baixos, se comparados com países como Japão, China, Suíça, Islândia, Austrália, França e Itália, onde a vida média já é superior a 81 anos. Conforme o IBGE, somente por volta de 2040 o Brasil alcançaria uma expectativa de vida ao nascer no patamar dos 80 anos. Os idosos são hoje 14,5 milhões de pessoas, 8,6% da população total do País.