terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Negros têm salários 43,8% menores


O Dia da Consciência Negra traz à tona reflexões importantes, como a participação dos negros no mercado de trabalho brasileiro. Dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos) e da Fundação Seade apontam para realidade nada positiva: o salário médio dos negros é 43,8% menor do que a remuneração dos brancos.

A pesquisa, que consolidou dados do período que compreende os anos de 2004 a 2008, mostra que o negro recebe, em média, R$ 4,62 por hora, enquanto os brancos ganham R$ 8,21.

"Além do fato de as jornadas de trabalho serem normalmente mais extensas, os negros encontram-se em maior proporção em ocupações mais frágeis, seja pela forma de contratação, seja pela inserção em postos de baixa qualificação. Estas são as razões mais evidentes para as diferenças de rendimentos". explica Patrícia Lino Costa, economista do Dieese.

Embora no período analisado tenha sido verificado aumento para os negros (6,1%) e relativa estabilidade para os não-negros (0,1%), a redução da diferença entre valores tão díspares não significou melhora consistente no rendimento daqueles que ganham menos. Em 2004, os salários dos negros eram 46,9% menores.

Para a economista, a diferença de remuneração também pode ser explicada com o menor nível de escolaridade dos negros. "Normalmente as famílias necessitam que todos os integrantes trabalhem para ajudar na composição da renda. Com isso, acaba-se não tendo tempo de estudar. Isso é um círculo vicioso e os negros acabam atuando em áreas que exigem menor nível de escolaridade e consequentemente com salários menores", explica Patrícia.

Fonte: Diário do Grande ABC (Michele Loureiro), no dia 20/11/09

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